O breakeven que sai da LTN/NTN-F contra a NTN-B mistura três coisas: o que o mercado espera de IPCA, o prêmio por carregar o risco de inflação e as diferenças de liquidez entre os títulos. Desconfie do número de tela.
O breakeven (inflação implícita) é a inflação que deixa o investidor indiferente entre o prefixado (LTN/NTN-F) e o indexado (NTN-B). Se o IPCA realizado ficar acima dele, a NTN-B ganha; abaixo, ganha o prefixado.
A conta é multiplicativa. A subtração i − r erra por um termo que é exatamente r × πBE: com juro real de 7% e inflação de 6%, são 0,42 p.p. — maior que muitos spreads de operação. Com juros baixos (EUA), o erro some; no Brasil, não.
💡 Consequência prática. Breakeven − Focus (mesmo horizonte) ≈ φ + ℓ. Não dá para separar os dois só com esses números: é preciso um modelo (ex.: estrutura a termo afim) ou hipóteses sobre a liquidez.
⚠️ Convenção desta animação. Os títulos são tratados como zero-cupom do mesmo prazo (LTN × NTN-B Principal), como na ETTJ da ANBIMA. Com NTN-F e NTN-B — que pagam cupom — o mesmo vencimento não basta: as durations diferem, e o certo é casar a duration ou usar as curvas zero.
🌎 Janela para o mundo real. ETTJ ANBIMA de 02/10/2026, vértice 504 DU (≈ 2 anos): pré 13,71%, real (IPCA) 7,37%, inflação implícita 5,91% a.a.
Focus de 14/09/2026 (mediana): IPCA 4,30% em 2027 e 3,80% em 2028. O horizonte de 2 anos a partir de outubro não coincide com anos-calendário, mas a ordem de grandeza da diferença é de mais de 1,5 p.p. — isso é φ + ℓ (e defasagem de datas), não "o mercado espera quase 6%".
(1 + i) = (1 + r)(1 + π) = 1 + r + π + r·π ⇒ i − r = π + r·π.
Logo a subtração superestima o breakeven em exatamente r·π. Em taxas contínuas (ln) a conta é aditiva: ln(1+i) − ln(1+r) = ln(1+π).
| Juro real | π = 3% | π = 6% | π = 8% |
|---|---|---|---|
| 2% | 0,06 | 0,12 | 0,16 |
| 7% | 0,21 | 0,42 | 0,56 |
| 10% | 0,30 | 0,60 | 0,80 |
Erro da subtração em p.p.
Você define o "mundo verdadeiro" (expectativa, prêmio, liquidez, juro real). A tela mostra as taxas que o mercado observaria e o que um analista desavisado concluiria delas.
O erro da subtração é r × π: cresce com o nível das taxas. O ponto é o seu cenário; a linha tracejada é um mundo de inflação de 2%.
Usa as taxas montadas na aba ② (). Sorteamos o IPCA realizado: um choque persistente de "regime" por trajetória (desvio σ) mais ruído mensal. A NTN-B vence se o IPCA realizado anualizado superar o breakeven.