Tesouraria · Derivativos de juros · FRA de DI1

FRA de DI1: travar um trecho da curva

Duas pontas de DI1 em sentidos opostos, com quantidades que zeram o financeiro, deixam o operador exposto apenas à taxa a termo entre os dois vencimentos. Quem vai captar entre T1 e T2 compra o FRA e fixa hoje o custo daquele período.

O que se trava: a taxa a termo

(1 + f)(du2 − du1)/252 = (1 + r2)du2/252 / (1 + r1)du1/252 = PU1 / PU2 r1, r2: taxas dos DI1 com vencimento em T1 e T2 (DU/252) · PU = 100.000 / (1 + r)du/252 · f: taxa a termo de T1 a T2, efetiva ao ano

O FRA de DI1 é cotado diretamente em f. A B3 o registra como duas operações de DI1 — a ponta curta (T1) e a ponta longa (T2) — em sentidos opostos, com quantidades calibradas para que os financeiros se anulem (PU neutro):

N1 × PU1 = N2 × PU2  ⇒  N1 = N2 × PU2 / PU1 = N2 / (1 + f)(du2 − du1)/252
QuemPosição no FRAPonta longa (T2)Ponta curta (T1)Ganha se f…
Captador (vai tomar recursos em T1)Compra FRAtomado em taxa = vendido em PU · N2dado em taxa = comprado em PU · N1subir
Investidor (vai aplicar em T1)Vende FRAdado em taxa = comprado em PU · N2tomado em taxa = vendido em PU · N1cair
✓ Certo
Com vértices de 252 DU a 12,80% e 504 DU a 12,90%, o FRA trava 13,0001% para o ano entre T1 e T2: a razão entre os fatores, não a taxa de 504 DU. Para 1.000 contratos na ponta longa, a curta tem 1.000 × 78.453,46 / 88.652,48 ≈ 885 contratos.
✗ Armadilha
"Comprar FRA é comprar DI1" (no DI1 se compra PU, e comprar PU é dar taxa); "uso 1.000 contratos nas duas pontas"; "travei 12,90%, a taxa de 504 DU". Os três erros mudam o resultado — veja as abas ② e ③.

Por que trava

Em T1 a ponta curta vence a 100.000, e a longa passa a valer 100.000 / (1 + R)τ, em que R é a taxa de mercado para o período restante (τ = (du2 − du1)/252 anos). Para quem comprou o FRA, o resultado acumulado é:

ΠT1 = N2 × 100.000 × [ 1/(1 + f)τ − 1/(1 + R)τ ] positivo se R > f: a taxa subiu e o FRA paga a diferença

O captador precisa de X = N1 × 100.000 em T1. Se usar o resultado do FRA para captar só X − Π à taxa R, deve em T2 exatamente N2 × 100.000 = X × (1 + f)τ. O custo efetivo é f, seja R qual for.

💡 Por que PU neutro. Até T1, os ajustes de cada ponta corrigem o preço anterior pelo CDI do dia. Com N1·PU1 = N2·PU2, o termo do CDI aparece nas duas pontas com sinais opostos e se anula. A estrutura fica exposta apenas à a termo. Com quantidades iguais sobra uma posição líquida em CDI.

⚠️ Convenção desta animação. Mostramos só o resultado em T1, somando os ajustes sem o rendimento que cada ajuste teria entre o dia em que é pago e T1; esse efeito é pequeno e foi ignorado. Datas em DU, PU base 100.000, curva interpolada por flat-forward (CDI como vértice de 1 DU). Na B3 a quantidade da ponta curta sai do cálculo da bolsa, e o lote é múltiplo de 5 contratos.

🌎 Janela para o mundo real. A B3 negocia a "Operação Estruturada de FRA de DI1 (PU Neutro)", código DIF, cotada em taxa a termo efetiva ao ano (base 252), com lote mínimo de 5 contratos. Pela curva pré da ANBIMA de 02/10/2026, a termo de 1 ano daqui a 1 ano: 14,04% (com 252 DU a 13,38% e 504 DU a 13,71%); de 2 anos daqui a 3 anos: 14,68%. A a termo fica acima das duas taxas spot que a formam.

Escolha o trecho e monte as pontas

início do período travado
fim do período (mín. T1 + 21 DU)
múltiplos de 5 (lote B3)
Ajustar os vértices da curva
Taxa a termo travada
Spot T1 · spot T2
não são o que se trava
Contratos na curta
Financeiro líquido
curva spot (flat-forward)T1T2a termo travada

🔍 O que está acontecendo

Chegou T1: o custo ficou travado?

Usa o FRA montado na aba ② (). Escolha a taxa de mercado em T1 para o período T1 → T2 e quanto o CDI até T1 se afastou do que a curva previa.

com PU neutro, não deve importar
Resultado do FRA em T1
Custo sem hedge
taxa de mercado em T1
Custo efetivo com FRA
Pago em T2
sem hedgecom FRAcom FRA de quantidades iguais
sem hedgecom FRA

🔍 O que está acontecendo

Seis situações de mesa — clique para ver o veredito

Teste rápido